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Archive for julho \28\UTC 2018

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar, tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

(de “O Arroz de Palma, de Francisco Azevedo)

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Muito tem sido escrito sobre os atributos de adultos altamente realizados e o que os torna diferentes dos demais.

Mas se você é um pai ou uma mãe, a pergunta mais irresistível é:

“O que eu posso fazer para ter certeza de que meus filhos terão sucesso na vida?

Segundo a ciência, crianças de sucesso têm pais que fazem essas 9 coisas:

  1. Não diga a eles que poderão ser qualquer coisa que quiserem

De acordo com um levantamento feito com 400 adolescentes, conduzido pela agência de pesquisa de mercado C+R Research, jovens americanos não estão interessados em fazer o trabalho que precisará ser feito nos anos que virão. Em vez disso, eles aspiram serem músicos, atletas ou designers de vídeo game, mesmo que esses tipos de trabalho apenas abranjam 1% das ocupações americanas. Na realidade, trabalhos na saúde ou em negócios de construção serão preciosos nas décadas futuras. Por que não guiá-los a seguir profissões bem-remuneradas que terão uma grande escassez de trabalhadores?

  1. Jantar como uma família

De acordo com a organização sem fins lucrativos The Family Dinner Project, crianças que comem com os seus familiares aproximadamente cinco dias por semana, exibem baixos níveis de abuso de substância, gravidez na adolescência, obesidade e depressão.

Elas têm, inclusive, média de notas mais altas, melhor vocabulário e mais autoestima.

  1. Impor tempo sem telas (televisão, smartphones e dispositivos em geral)

Pesquisadores descobriram que os cérebros das crianças pequenas pode ser permanentemente alterados quando elas gastam muito tempo usando tablets e smartphones. Especificamente, o desenvolvimento de certas habilidades é limitado, incluindo foco e atenção, vocabulário e habilidades sociais. De fato, a Academia Americana de Pediatria (AAP) diz que crianças menores de 18 meses não devem ter tempo de tela de maneira nenhuma, exceto conversas em vídeo. Para crianças de 2 a cinco anos, é recomendado limitar a exposição à tela à uma hora por dia. Para crianças mais velhas, é uma questão de se certificar de que a mídia não ocupe o lugar do sono adequado, execício e interação social. A AAP também diz que os pais devem fazer a mesa de jantar, o carro e os quartos áreas livres de mídia.

  1. Trabalhar fora de casa

Certamente existem benefícios familiares em ter uma mãe que fica em casa. Mas pesquisadores da Escola de Negócios de Harvard, descobriram que quando as mães trabalham fora, suas filhas são mais propensas a se empregar, obtêm posição de supervisão e ganham mais do que colegas que tiveram mães sem uma carreira.

  1. Dar tarefas para as crianças realizarem

Em um TED Talks de 2015, Julie Lythcott-Haims, autora do livro “How to Raise an Adult” (Como criar um adulto) e ex-reitora dos calouros de Stanford, cita um estudo de Harvard, que descobriu que os participantes que alcançaram maior sucesso profissional tiveram tarefas quando crianças.

  1. Adiar a gratificação

O clássico Experimento do Marshmallow de 1972, envolvia colocar um marshmallow na frente de uma criança pequena com a promessa de um segundo marshmallow se ele ou ela conseguisse não comer enquanto um pesquisador ficasse parado do lado de fora por 15 minutos. Estudos de acompanhamento pelos 40 anos seguintes mostraram que as crianças que foram capazes de resistir a tentação de comer o marshmallow, se tornaram pessoas com melhores habilidades sociais, alta pontuação em testes e menor incidência de abuso de substâncias. Eles também se tornaram menos obesos e mais capazes de lidar com o estresse. Para ajudar crianças a construir estas habilidades, treine-as para terem hábitos que devem ser realizados todos os dias, mesmo que elas não queiram fazê-las. “Pessoas de desempenho elevado em muitas áreas – atletas, músicos, CEOs, artistas – são mais consistentes que seus colegas”, escreveu James Clear, autor e palestrante que estuda os hábitos de pessoas bem-sucedidas. “Elas aparecem e entregam dia após dia enquanto todo o resto empaca com as suas urgências da vida diária e lutam uma constante batalha entre procrastinação e motivação.”

  1. Ler para eles

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque descobriram que bebês cujos pais leram para eles, têm melhor linguagem, alfabetização e habilidades de leitura quatro anos antes de iniciar a escola primária. E crianças que gostam de livros quando são pequenos, tornam-se adultos que leem por diversão mais tarde, o que promove por si só uma série de benefícios. Dra. Alice Sullivan usa o British Cohort Study para traçar vários aspectos de 17.000 pessoas no Reino Unido. “Nós comparamos crianças com a mesma bagagem social que obtiveram habilidades similares testadas nas idades de cinco a dez anos e descobrimos que aqueles que liam livros frequentemente aos 10 anos e mais de uma vez na semana quando tinham 16, tiveram resultados elevados nos testes do que aqueles que liam menos,” escreveu ela ao The Guardian. “Em outras palavras, ler por prazer estava ligado a maior progresso intelectual em vocabulário, soletração e matemática.”

  1. Encorajá-los a viajar

A Associação de Viagens para Estudantes e Jovens (SYTA) entrevistou 1.432 professores norte-americanos que credenciaram viagens internacionais, em particular, que afetaram os alunos de inúmeras maneiras:

  • Desejo de viajar mais (76%);
  • Aumento da tolerância por outras culturas e etnias (74%);
  • Aumento da disposição de conhecer/aprender/explorar (73%);
  • Aumento da disposição de tentar comidas diferentes (70%);
  • Aumento da independência, autoestima e confiança (69%);
  • Mais curiosidade intelectual (69%);
  • Aumento da tolerância e respeito (66%);
  • Melhor adaptação e sensibilidade (66%);
  • Ser mais descontraído (51%);
  • Melhor autoexpressão (51%);
  • Aumento da atratividade de admissões de faculdade (42%).

Se enviar seu filho ou filha para o exterior ou levá-los com você para o estrangeiro não for viável, crie coragem. A pesquisa também perguntou aos professores sobre viagens domésticas e encontrou benefícios similares para os estudantes.

  1. Deixá-los falhar

Embora pareça algo contra-intuitivo, é uma das melhores coisas que os pais podem fazer.

Segundo a Dra. Stephanie O’Leary, psicóloga clínica especializada em neuropsicologia e autora do “Parenting in the Real World: The Rules Have Changed“, falhar é bom para as crianças em vários níveis. Primeiro, experimentar a falha ajuda sua criança a aprender a lidar com as coisas, uma habilidade certamente necessária no mundo real. Também fornece a experiência de vida necessária para ele ou ela se relacionar com os colegas de uma maneira genuína. Ser desafiado incentiva a necessidade de trabalho duro e esforços contínuos e ainda, demonstra que esses traços são valiosos mesmo sem a faixa azul, a estrela dourada ou a nota mais alta. Com o tempo, crianças que experimentaram a derrota vão construir resiliência e serão capazes de enfrentar tarefas e atividades difíceis, porque elas não têm medo de falhar. E ela diz que resgatar seu filho envia a mensagem de que você não confia nele. “A sua vontade de ver seu filho lutar comunica que você acredita que ele é capaz e que pode lidar com qualquer resultado que vier, mesmo um negativo.”

 

Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Inc., escrito por Christina DesMarais

 

 

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