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Archive for fevereiro \23\UTC 2014

Eduarda Costa

Fundamental é mesmo o amor. E o respeito. E a lealdade. E o carinho. E o companheirismo. E a diversão. E a fidelidade. E a confiança. E o apoio. E a alegria. E a cooperação. E todo o resto.

Relacionamento é um negócio complicado, diriam os leigos. Confesso com alguma vergonha que eu mesma, tropeçada na tolice dos trancos e barrancos de algumas relações meia-boca, já repeti esse clichê equivocado. E usando essas poucas linhas como confessionário, peço perdão. Falei errado. Foi sem pensar. Sem refletir. Sem vivenciar. Vou me desculpar.

Perdoe-me também pela grosseria da sinceridade, mas preciso enfatizar: relacionamento é um negócio simples pra caralho. Não tem o que complicar. Complicado é física quântica. Mandarim. Números complexos. Aprender latim… Se o relacionamento estiver complicado, permita-me a franqueza, meu caro, mas você está fazendo isso meio errado.

É tudo muito paradoxal. Vivemos na era da liquidez, da fluidez, da correnteza e da facilidade e ainda tem gente engasgando com relacionamentos arrastados. Vejo gente empurrando com a barriga relacionamentos sem sintonia a troco de sabe-se lá o que e me pergunto, indignado, da onde vem o comodismo emocional dessa geração teoricamente movida a novidades.

Tudo muda tão rápido. Geramos conteúdo e conhecimento na mesma velocidade com que nos comunicamos arrastando dedos ágeis por telas” touch screen”. É tudo tão global. Tão aparentemente esclarecido. Tão fácil. Tão mutável. Acessamos o mundo, podemos nos dar ao luxo de querer cada vez mais, e, vai entender, tem gente se contentando com pouco, muito pouco, na vida real.

Preciso contar: esses dias eu conheci um casal que passou sessenta anos juntos. Sessenta infelizes anos. “Ele me traiu desde a lua de mel”, disse ela em um tom assustadoramente conformado. Não dormiam juntos há pelo menos uns cinquenta. Um afogou a vida do outro. Brigas, discussões, desentendimentos. Os filhos vangloriavam-se: “nossos pais fizeram bodas de diamante esses dias”. Cada boda que se foda. Um levou a felicidade do outro embora. Recomeço? Que piedade! Que dor nos olhos eu senti. Relacionamentos são uma parcela muito importante da minha vida e, refletindo, concluí que eu até conseguiria, embora não sem pesar, passar sessenta anos sem me relacionar com ninguém, mas passar sessenta anos sobrevivendo um relacionamento de merda, sem a alegria que deveria ser inerente a qualquer relação interpessoal, ah, isso seria a morte para mim.

Até entendi os motivos do casal. Era outro tempo. Ainda mais patriarcal, reacionário e machista. Dependência financeira. Dependência social. Necessidade do status do casamento. Toda essa ladainha bélica que deveria ter ficado lá, muito antes de atirar infelicidade nessa gente. O que me intriga é o fato de em plena época de zoeira com o cara que bebe “champagne” em busca de “statis”, ainda existir gente que compra status com a própria felicidade, que, acredito eu, não se paga com oceanos de “Veuve Cliquot”.

Graças a Deus nós não precisamos nos contentar com pouco. Conhecer gente nova é muito mais fácil. Livrar-se das amarras dos rótulos é muito mais fácil. Casamento não é mais sinônimo de sucesso para ninguém. Não se mensura o sucesso de uma relação pelo tempo de duração. Podemos apagar as fotos. E as mensagens. E as marcas. E foda-se o retrógrado que comenta: “Viu fulana? Já trocou de namorado”. Ainda bem. Trocou porque estava ruim. Agora está feliz. E você, que maquia um relacionamento meia-boca duradouro? E você, que trai, que retrai, não atrai? E você, que acomoda essa bunda preguiçosa nas frouxas almofadas da insatisfação?

Preciso esclarecer que eu acredito em casamentos felizes, acredito em relações plenas, acredito em amor eterno. E como acredito! Desde que seja amor. Não pode ser genérico, pirata, imitação. Tem que ser genuinamente amor. Com ele, naturalmente caminham o respeito, a lealdade, a confiança e tudo aquilo que eu já não preciso mais repetir. É ele que simplifica tudo. Se acaba o amor, tudo isso transforma-se em regra, protocolo a seguir, lei a respeitar. E regra é uma merda, Meu Amor. É esse meio-amor que complica tudo.

Relacionamento é um negócio simples. Se está ruim, tenta consertar – conheço casos que deram certo. Mas não perde a vida nessa tentativa. Tem muito amor no mundo para você se contentar com pouco, com solidão acompanhada. Vive. Fundamental é mesmo o amor. É bem possível ser feliz sozinho…

(Eduarda Costa)

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Em entrevista dada pelo médico Dráuzio Varella, disse ele que nós temos um nível de exigência absurdo em relação à vida; queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.

E aí, ele deu um exemplo trivial, que acontece todos os dias em nossas vidas.

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping).

Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor e de outras, pior. 

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, 

mas não entende porque eles parecem ser tão felizes.

Será que nada dá errado para eles? Dá aos montes.

Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.

Que “audácia” contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição?

Justamente.

O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. 

É incomodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel.

E como esse, a maioria dos nossos “problemões” podem ser resolvidos assim, rapidinho. 

Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça…

Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco pra tudo o que tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia.

Então eu uso a “porta do lado” e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado. 

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia… use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.

Lembre-se, o humor é contagiante – para o bem e para o mal – portanto, sorria e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.

A “porta do lado” pode ser uma boa entrada ou uma boa saída…

Experimente!!!

(Dr. Dráuzio Varella)

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Todo dia é menos um dia;

menos um dia para ser feliz;
é menos um dia para dar e receber;
é menos um dia para amar e ser amado;
é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer que concordamos com o que ouvimos ou lemos, mas estamos dando a outrem a chance de pensar, refletir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.
Mas saber calar, mais raro ainda.
E como humanos estamos sujeitos a errar.
E nosso erro mais primário, é não saber ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.
Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer:
– Desculpe, eu errei!
Para dizer:
– Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;
Para voltarmos sobre os nossos passos.
De repente descobrimos que estamos muito longe e já não há mais como encontrar onde pisamos quando íamos.
Já não conseguiremos distinguir nossos passos de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos, estaremos seguindo um caminho, que jamais nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.
Ouça e cale se não se sentir bem.
Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir interpretar melhor e saber o que quis ser dito.

(Carlos Drummond de Andrade)

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Um jogo que tem-nos conduzido à solidão.

Num tempo em que a autoestima tem sido tão ovacionada, as pessoas têm confundido amor-próprio com individualismo e egoísmo. 

Empolgadas com a possibilidade de se gostarem mais e reconhecerem com mais propriedade as suas qualidades, têm perdido o equilíbrio entre “ser” e dar espaço para que o outro “seja”.

Passam a valorizar tanto a ideia de que devem se amar como são e especialmente que merecem ser amadas exatamente do jeito que são, que se equivocam quanto ao que seja relacionamento, troca, amor e felicidade.

Tanto que tem sido muito comum ouvir alguém dizer convictamente coisas do tipo: “se fulano realmente me amar, tem de me aceitar como sou”. Embora haja um fundo de verdade nesta afirmação, existe uma enorme diferença entre aceitar você como você é e engolir tudo o que você faz sem reagir a nada.

Quando você diz “não vou mudar só porque o outro acha que estou errado”, sem ao menos refletir e considerar o que está sendo dito, isso não é amor-próprio e sim falta de humildade e arrogância.

Relacionamentos são veículos sensacionais para que a gente consiga perceber nossas limitações e nossas dificuldades, mas se nos colocarmos como donos da razão, nos tornaremos cegos para a oportunidade de nos rever, ceder em alguns pontos e admitir que estamos enganados muitas vezes.

Precisamos considerar nossos enganos, dando razão ao outro para que possamos, através dos encontros, construir a verdadeira autoestima, e não muros que nos distanciam das pessoas, tornando-nos prepotentes e bem pouco atraentes.

A autoaceitação é um sentimento excelente, desde que inclua a noção de que cometemos erros e principalmente de que só se pode ser feliz se, na mesma medida, soubermos aceitar o outro. Caso contrário, cairemos na armadilha da solidão como consequência de um egoísmo que repele em vez de atrair.

Perceba a diferença entre individualidade e individualismo. A primeira sugere nossa divina singularidade e a segunda sugere o radicalismo da primeira. É quando deixamos de reconhecer a divina individualidade do outro.

Amar a si mesmo só pode ser de fato uma conquista quando você compreende que não pode crescer sem a presença das pessoas, sem trocar com elas, cedendo e se impondo conforme o ritmo das circunstâncias…

Como numa dança… a dança de amar e ser amado!

(Rosana Braga)
http://www.rosanabraga.com.br

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